quinta-feira, 23 de julho de 2009

Surpresa

E quando tudo estava preparado para uma semana de férias (bem merecidas) em Tavira, programadas desde inícios de Junho, tudo se altera pelas contingências da vida. Quando esperava ter mais tempo para dedicar a amigos que há muito não vejo, eis que tenho que ficar confinado, de novo, ao meu apartamento (não, não estou com a gripe H1N1). Quando tive que recusar simpáticos convites para comemorar os vinte e cinco anos do Lar Paroquial de Válega ou para passar uma semana de escrita criativa em Barcelona (pensava nesses dias já estar no Algarve), eis que me encontro limitado pela dedicação e carinho que aqueles são meus merecem e pedem.
É impressionante como a vida, que programamos e pensamos dominar, nos prega estas partidas que nos consciencializam de que afinal não somos senhores do tempo nem dos dias. Então de que somos senhores? De nós próprios, da capacidade de enfrentar as contrariedades da forma que melhor nos faça crescer e ser. Ontem ao deitar li uns versos de Ruy Belo que se enquadram no que sinto:

Somos a grande ilha do silêncio de deus
chovam as estações soprem os ventos

jamais hão-de passar das margens.


Muito me abala, mas nada me abate e derrota. E o silêncio de Deus é eloquente sinal da sua presença e do seu conforto. E assim, de margens gastas pelo bater das vagas, continuarei a passar por aqui, o meu istmo de comunicação com o mundo e com os amigos.

1 comentário:

AVC disse...

Uma das coisas que nunca me conseguiram explicar, foi o porquê de Deus não ter feito tudo perfeito (há a lenda da serpente e da árvore), afinal não era mais fácil vivermos sem contrariedades?

Mas também se Deus sabia que íamos comer a maçã, porque o permitiu? Foi a necessidade de cumprir o livre arbítrio, ou foi a malvada serpente, mas se foi, quem lhe deu esse poder?

Alguns dirão: para se distinguir o Bem, tem que se conhecer o Mal. Mas esta não é uma concepção da moral judaico-cristã: bem e mal, noite e dia, luz e trevas, benesses para os bons e chamas eternas para os pecadores empedernidos.

Afinal há outras concepções diferentes de outras religiões igualmente válidas a julgar pelo número de fiéis, ou não? Estarão errados, a precisar de ser convertidos?

Serão todos os Deuses um só?

Mas então se Deus criou todas as coisas - certamente que criou, também o Mal, ou não? Se o fez assim, então porque o fez, para que os homens (que foram feitos à sua imagem) percebessem o Bem, o que quer dizer que Ele próprio não conhecia todas as coisas que fez ou seria imperfeito como a sua criação? Ou ainda, estaremos em vias de nos tornarmos deuses, após muitas e muitas reencarnações e desejáveis evoluções espirituais?

Ou será que Deus é tudo, ou seja, Bem e Mal, criação e Apocalipse, "big bang" e fim do universo?

Quando há uma coisa boa, é uma bênção de Deus. Quando há uma coisa má, é uma provação que Ele coloca no caminho para reforçar a fé!

Não serão estas coisas todas meras tentativas de humanizar os Deuses? Ou sofreremos de distorções de ponto de vista?

Um proeminente neurocirurgião afirma que tudo não passa de fenómenos electroquímico cerebrais.

Outros dirão: é falta de fé!

São tudo palavras e conceitos apreendidos durante a socialização, afirmarão muitos!

Os desígnios de Deus são insondáveis - resposta final.

Cumprimentos.