quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

“A vigia desejosa e esperançada pelo amigo que não vemos há muito”

Assim escrevia eu no domingo passado reflectindo no tempo do advento que estamos a viver. Pois nos últimos dias tenho-me cruzado, em diferentes circunstâncias e por diferentes meios, com pessoas com que ao longo dos anos, nas diferentes actividades e terras por onde passei, tive o privilégio de me cruzar. Algumas têm me dito palavras de saudade e admiração que não mereço, outras oferecem-me presentes que me desconcertam e outras sentam-se atenciosa e amigavelmente para escutar a torrencial chuva de histórias que habitualmente os amigos que há muito não se vêem têm sempre para contar.
Nesta manhã chuvosa de Dezembro vivi um desses momentos com o padre Joaquim Santos (meu colega de curso), no Seminário Maior do Porto. Regressar aquela casa, descer aquelas escadas, vislumbrar o rio daquelas janelas e entrar silenciosamente na naquela capela (belamente remodelada) é como que olhar de frente as raízes mais profundas, mais verdadeiras e mais sólidas da minha vida. Muito do que sou devo às pessoas de que cada recanto daquela casa é sacramento.
Foi uma conversa entre dois amigos que há muito não se viam. Foi uma conversa com um dos (poucos) grandes amigos que tenho e de que sinto já saudades. É que como dizia S. Bernardo: “Sabemos que a felicidade que nos vem do facto de termos encontrado o objecto da nossa procura não apazigua os santos desejos, antes os faz mais vivos. A plenitude da alegria não é a extinção do desejo, mas como o azeite ao fogo, o que o faz arder ainda mais. Porque o desejo é uma chama. E é assim que, mesmo sendo completa a alegria, não traz consigo o fim do desejo, nem, por consequência, o termo da procura”.
Por isso, continuo do meu castelo vigiando procurando. Continuo em advento.

3 comentários:

Americo de Pinho Matos disse...

Continua no seu castelo, vigiando e procurando como sempre.Sente-se nas suas palavras uma certa nostalgia dum sonho que a realidade desmente.
A procura que partilha com os seus amigos torna-se incentivo para aqueles que tiveram o privilégio de caminhar consigo de sentiremm a mesma ansiedade.
O advento não se esgota nas quatro semanas que antecedem o Natal. É uma inquetação que nos persegue continuamente na procura de algo que possa preencher a ânsia de felicidade que nos leva questionar permanentemente o sentido da vida.

aferida disse...

No meio de um problema informático, uso um computador de recurso para dizer, apressado, que estou aqui. E para dizer um obrigado inútil, em vez das muitas coisas que deveria dizer por oportunas. Mas, escutar, sendo visto como a maior dádiva, é, de facto, o maior lucro.
É triste dois amigos reencontrarem-se depois de longa ausência e esgotarem o assunto em breves e embaraçosos minutos. Não é assim connosco e isso não tem preço, é amizade.
Pois, aqui estou.
Joaquim

Grupo de Jovens disse...

Avançando no Advento descubro memórias... razões para continuar a acreditar.
Os amigos são certamente uma dessas razões.
Aqueles que o nosso coração elege espontâneamente, por circunstâncias da vida, porque sempre estiveram ao nosso lado, ou porque nos marcaram num determinado momento... mesmo se há muito não os vemos, pois na distância continuam a dar sentido à nossa vida.
Obrigado por fazer parte daqueles que ajudaram a operar mudanças na minha vida, que aumentaram a minha fé.