sábado, 25 de outubro de 2008

"Mestre qual é o maior mandamento da lei?" Mt 22, 36

No tempo de Jesus, eram tantas as prescrições e as proibições da lei judaica que se discutia apaixonadamente quais seriam as mais importantes para se ser um bom crente. Ser religioso era cumprir a lei tal como estava formulada e interpretada pelos chefes religiosos.
Também hoje o cristão se sente perdido e confuso no meio de tantas regras, leis, cânones (1792 no código de direito canónico!) e exigências que os seus pastores lhes impõem ou apresentam. Algumas das muitas proibições, que não se encontram em nenhuma página do evangelho ou dos escritos apostólicos, intrometem-se na consciência individual e inviolável de cada homem e cada mulher.
Aos doutores da lei de ontem e de hoje Jesus responde com uma atitude existencial, com o núcleo da fé cristã, que não é uma manta de dogmas, de moral ou de mandamentos. Mas que se resume à atitude primordial: amar. E amar a Deus naqueles que trazem em si a Sua imagem: cada homem e cada mulher.
Nisto se resume tudo: o amor a Deus é o fundamento e a origem do amor ao próximo; o amor ao homem concretiza e determina o amor a Deus. O amor entre os irmãos (àquele que se cruza comigo e necessita de ajuda) é a condição imprescindível para se ser cristão.
Desde o início os cristãos tiveram bem presente esta verdade: “nisto conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes” (Jo 13, 35); “o que ama cumpre toda a lei” (Gal 5, 14); “ama e faz o que quiseres.” (Santo Agostinho); “ao cair da tarde seremos julgados sobre o amor” (S. João da Cruz).
No discurso hodierno dos cristãos por onde anda o amor? E a misericórdia? E a liberdade?

3 comentários:

Grupo de Jovens disse...

Os homens de hoje e a instituição Igreja de hoje, vivem absorvidos pela aparência, pelas regras ditadas por homens... parece que poucos pensam como agiria ELE se voltasse a estar fisicamente entre nós.
A Igreja de hoje rejeita as "Marias Madalenas", afasta as "mulheres de Samaria", não almoça com "Zaqueus"... amam os próximos que interessam, esquecendo o Jesus que está nos próximos esquecidos e banidos... Felizmente aprendi a não personificar Jesus nos exemplos actuais de Igreja, caso contrário...
Quando penso nisto sinto a tristeza de nem sempre me identificar com a instituição, por isso digo, Cristã sempre, católica por vezes com muito esforço.
Salete

Unknown disse...

2000 anos quase encobriram a transparência de uma mensagem simples, porém concreta, exigente e comprometida com o amor de Deus e do próximo.
Urge desvendá-la, para que brilhe em todo o seu esplendor de Caminho, Verdade e Vida.

Gabriela disse...

Uma palavra bela e tão simples como AMOR, hoje é tantas vezes trocada pelo meu "eu", mesmo por crentes, praticantes ou não. Os bens materiais são colocados sempre em primeiro lugar, não há tempo para pensar no próximo. " por favor volta Jesus..." (Ele esté no meio de nós e continuamos cegos.)