Por vezes dá-me para isto: rever um filme antigo, ouvir um cd esquecido, regressar a uma livro marcante. Hoje estava com vontade de aqui escrever algo de substantivo, mas a melancolia deste outono, que finalmente (?) se vai impondo, trouxe-me à memória um dos maiores filmes que já vi na vida e que mais reforçou o meu fascínio (sei que discutível, mas que querem?) por bandas sonoras originais para cinema: Aconteceu no Oeste de Sergio Leone, com música de Ennio Morricone e um elenco inesquecível: Henry Fonda, Claudia Cardinale, Charles Bronson, Jason Robards, etc. Não vou fazer deste post mais uma crítica de cinema, mas deixo aqui uma das cenas iniciais (hesitei em pôr o final, mas pode ser que alguém queira ir ver o filme pela primeira vez e não quero estragar a surpresa) onde se expõe simplesmente o mais e melhor puro cinema. É impressionante e terrivelmente magnífico. Ah e já agora apercebam-se qual a fonte e a face do mal...
sábado, 24 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Numa Noite Chuvosa de Outono
Nesse dia 13 partirão também uma série de alunos e professores em peregrinação a S. Tiago de Compostela (aqui chamamos-lhe o Caminho), que é já um marco da vida do Colégio e que tem marcado significativamente muitos jovens (e não só) que se deixam interpelar por uma experiência de espiritualidade profunda e exigente. Com eles estaremos em comunhão e, para melhor a visualizar e realizar, proporcionaremos, em alguns momentos, espaços de partilha por videoconferência. E, porque queremos que Taizé seja vivido por todo o colégio, vamos preparar a capela para ser, desde já, uma espaço universal de oração e de contemplação do divino através do ícones que recebemos na passada quarta-feira.
Por falar em quarta-feira, não posso terminar sem referir que a igreja de S. José das Taipas estava cheia, numa noite de futebol e de inclemente chuva. Que bom regressar à penumbra de uma igreja exclusivamente iluminada pela luz das velas, ao silêncio entrecortado pela Palavra e pelos melodiosos cânticos que, no início, mal percebemos a letra mas (como a voz que não se impõe do Mestre) que se vão interiorizando e vislumbrando em sentido que nos leva, numa comunhão crescente e depois de bem escutar uma e outra vez, a juntar a nossa voz à de tantos que partilham a mesma fé. Assim, ali estive de pé (não havia lugar nem para sentar no chão) a rezar cantando: Senhor Jesus tu és luz do mundo: dissipa as trevas que me querem falar. Senhor Jesus és luz da minha alma saiba acolher o teu amor.
Quando regressava a casa (sempre debaixo de chuva) recordava estas palavras que conscientemente escrevia, em 23 de Janeiro de 2003, para uma conferência sobre a pastoral juvenil na diocese (era o director do secretariado): A nossa experiência diz-nos que os jovens desejam e procuram estes espaços onde se dá oportunidade à revisão de vida, à descoberta de Jesus como alguém e alguém que tem a ver com o seu mundo, à vivência espiritual (e como eles estão abertos a vivências deste tipo!), e à alegria do serviço à comunidade, que quando integrado e enquadrado é proposto e querido por eles próprios. Eles desejam; falta quem lhes dê, oriente e apoie.
Como é possível que tanta gente, na pastoral da Igreja, nas paróquias ainda não tenha compreendido este anseio e esta disponibilidade não só dos jovens, mas da maioria dos discípulos de hoje de Jesus.
Estou muito feliz por regressar a este mundo... porque, como cantava na celebração de que vos falo, a alma que anda no amor nem cansa nem se cansa.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
Sacanas Sem Lei
No domingo à tarde fui ver o último filme de Tarantino, Sacanas Sem Lei. Fica já aqui explicita a minha declaração de interesses: sou um apaixonado de Tarantino desde que há muito tempo (1994) vi o magnífico Pulp Fiction. Nunca mais perdi um filme seu (mesmo o anterior àquele, Cães Danados)Em Sacanas sem Lei voltei a reencontrar-me com os seus diálogos inesquecíveis [quase todas as cenas, são cenas de longas conversas de pessoas que se olham, simulam, gesticulam (por vezes fatalmente...), criam ambiguidade, enfim personagens de carne e osso], com as suas citações cinematográficas (western, cinema de espionagem da segunda guerra mundial, evocação do cinema de propaganda da própria segunda guerra, etc.), com a sua magnífica direcção de actores e de banda sonora e com a sua recorrente (Kill Bill e A Prova de Morte) vingança feminina.
Não é um filme sobre a guerra nem sobre a guerra de 39-45, mas é uma recriação da história tendo como pano de fundo não só o poder do cinema (Tarantino dixit), mas também o poder do boato, da fama criada, do nome com que o inimigo apelida alguém que se evidencia pelo seu carácter aterrador. Todos têm um apelido: o apache, o urso, o caçador de judeus, o judeu, o leiteiro, os próprios Sacanas Sem Lei, etc. É o poder da imagem cinematográfica, da imagem que o terror desperta nas mentes, da imagem que a propaganda delineia e apregoa, da imagem que os artistas criam, da imagem terrível da vingança (recordo a cena final de Shosanna a rir-se por entre chamas) que este filme retrata. E ninguém melhor para manipular a imagem como cinema que um enciclopédico cineasta como Tarantino. A imagem mais do que uma realidade empírica é uma construção mental que influencia a vida e que a pode tornar manipulável. Ser um filme a dizer isto é algo de brilhante.
Uma palavra final para Christoph Waltz que, apesar da menos conseguida reviravolta final da sua personagem (culpa a que é alheio), arranca uma portentosa interpretação de oficial das SS. Aliás, o filme é também uma delícia na arte de bem representar.
Apesar de não ser para mim o melhor Tarantino, existem imagens, diálogos e momentos inesquecíveis que se juntarão aos muitos ícones com que este artista do cinema tem pontuado a história da sétima arte.
Uma Pousada e Um Escritor
Vale a pena passear pelas salas barrocas deste palácio, tomar um copo no jardim primorosamente enquadrado ou simplesmente ler um livro no passadiço suspenso sobre o rio. Recordo que alguns destes espaços podem ser visitados e desfrutados por qualquer pessoa que queira simplesmente ver como ficou
Se calhar, alguns dos meus leitores gostariam que eu comentasse as inusitadas declarações de José Saramago. Quem me conhece sabe que o li com muito agrado no Memorial do Convento e na História do Cerco de Lisboa e que deixei de o ler quando foi (e continua a ser) desonesto intelectualmente ao abordar questões bíblicas. As frases avulsas que li na comunicação social reforçam a minha opinião sobre a leveza, a superficialidade e o fundamentalismo com que Saramago aborda esse mundo literário que é a Bíblia. É intrigante como um homem das letras lê um conjunto de livros (Bíblia) à letra, ao melhor estilo dos fundamentalistas judeus, cristãos ou muçulmanos. Na verdade, todos os fundamentalismos crentes ou ateus são autistas, simplórios e básicos no seu olhar sobre o mundo. O Nobel português lê a Bíblia ao pior estilo dos pregadores de uma qualquer igreja universal do reino de deus. E parece que com o mesmo objectivo: fazer um bom negócio. E isso é muito triste e o ilustre habitante de Lanzarote não precisava de tais métodos. Lamentável.
Tolentino de Mendonça aborda com pertinência as declarações aqui
sábado, 17 de outubro de 2009
Bom Fim-de Semana
Estarei ausente deste espaço durante os próximos dias. Regressarei na segunda-feira.
Ontem tive reunião da equipa de elaboração dos manuais de EMRC. Estivemos a analisar a impressionante unidade lectiva sobre a arte cristã que o José Rui está a elaborar. E quando falamos da música polifónica, barroca, romântica vieram-me à memória tantos cds esquecidos que em tempos ouvia obsessivamente. Regressei hoje momentaneamente a eles. E deixo aqui uma das melhores árias da Paixão Segundo S. Mateus do grande Bach: Mache dich, mein Herze, rein. A versão que apresento é para mim a melhor: John Eliot Gardiner dirige a sua English Baroque Soloists constituida por instrumentos da época barroca. Cornelius Hauptmann é o baixo que interpreta este momento único. Um bom fim-de-semana.
Ontem tive reunião da equipa de elaboração dos manuais de EMRC. Estivemos a analisar a impressionante unidade lectiva sobre a arte cristã que o José Rui está a elaborar. E quando falamos da música polifónica, barroca, romântica vieram-me à memória tantos cds esquecidos que em tempos ouvia obsessivamente. Regressei hoje momentaneamente a eles. E deixo aqui uma das melhores árias da Paixão Segundo S. Mateus do grande Bach: Mache dich, mein Herze, rein. A versão que apresento é para mim a melhor: John Eliot Gardiner dirige a sua English Baroque Soloists constituida por instrumentos da época barroca. Cornelius Hauptmann é o baixo que interpreta este momento único. Um bom fim-de-semana.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Aniversário da Maria
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Eleições Autárquicas
Na sexta-feira à noite escutava, na SIC notícias, alguns comentadores a perorarem que a campanha para as eleições autárquicas tinham sido pouco participada e pouco clarificadora. É o que faz viver em Lisboa e pensar que o país funciona e rege-se segundo os ritmos da capital. Quem vive fora dos grandes centro urbanos sabe muito bem que a campanha autárquica movimenta muita gente, é vivida com interesse e, por vezes, com entusiasmo pelas populações e é acompanhada com atenção pelos eleitores que, porque fazem as suas opções sem condicionalismos partidários e ideológicos, precisam de conhecer bem as propostas e os candidatos para poderem decidir. Nestas eleições, a proximidade das populações com os decisores políticos proporcionam o exercício de uma democracia de proximidade e de sensibilidade aos anseios (por vezes tão simples, mas tão significativos) das populações que nunca seria possível numa política nacional. São muitas as juntas e as câmaras onde depois das eleições as cores políticas desaparecem diante das necessidades da freguesia ou do concelho. O poder autárquico é o coração de democracia. Quando os eleitores dele descrerem, rapidamente deixarão de acreditar nos políticos nacionais e na democracia como solução.Da noite de ontem podemos concluir que o grande vencedor foi o PS: ganhou mais 22 câmaras que em 2005, melhorou o seu resultado de há quatro anos (mais votos, mais percentagem e mais mandatos), conquistou a maioria absoluta em Lisboa e em Beja (câmara do PC desde 1974), a maioria dos votos na também capital de distrito Leiria (sempre PSD) e conseguiu simbólicas vitórias como no bastião social democrata Barcelos ou como a reconquista da Figueira da Foz. É verdade que perdeu Faro, deixou fugir símbolos como Espinho e apanhou algumas banhadas pouco dignificantes (Porto, Aveiro, Gaia), mas acaba por ser o único que subiu significativamente em todos os itens em relação a 2005.
O PSD continua a ser o maior partido autárquico, aumentou a sua votação no Porto, em Aveiro, em Sintra, em Gaia (todas com o CDS), venceu em Faro, em Felgueiras (ambas também em coligação), em Espinho, mas perdeu 17 câmaras (sozinho ou coligado) e algumas bem simbólicas como Leiria. Não foi uma noite vitoriosa, foi o crepúsculo de uma morte lenta, iniciado há mais que quinze dias.
Em relação aos outros três partidos pouco há a dizer: o PCP é ainda uma força autárquica, mas tem o menor número da câmaras desde 1974 e viu a sangria de Beja, Marinha Grande, Alcácer (para o PS) e Sines (Independente que o PC escorraçou). Teve como consolação o desastroso resultado do BE que não conseguiu um vereador sequer no Porto e em Lisboa e não tem em nenhuma câmara do país qualquer posição de charneira. Mais, com o CDS coligado em muitos locais com o PSD, nem assim o Bloco teve mais votos que o CDS sozinho. Muito mau. O CDS é quase irrelevante nas contas autárquicas e, as suas coligações disfarçam o seu fraco poder local. No entanto, existem derrotas do PSD que talvez se tivessem evitado com uma coligação.
Finalmente, uma reflexão sobre o distrito do Porto e o Norte do distrito de Aveiro/sul da diocese do Porto.
Porto: O PS aguenta-se em Matosinhos apesar de Narciso, conquista a Trofa (foi sempre do PSD), mantém as outras Câmaras, mas tem derrotas pesadíssimas no Porto, em Gaia, Paredes, Penafiel e Maia. O PSD perde uma câmara (Trofa) mas ganha Felgueiras (com o CDS), aguenta-se em Valongo (com o CDS) graças à divisão local do PS e afunda-se em Vila do Conde, Matosinhos, Gondomar (todas com o CDS) e Baião.
No sul da diocese do Porto, no distrito de Aveiro: O PS conquistou Castelo de Paiva, mas perdeu Espinho; o PSD vice-versa. No resto, o habitual: PS reforçou em Ovar (contra coligação PSD/CDS) e em Arouca; o PSD reforçou em S. João da Madeira e manteve Feira, Oliveira de Azeméis e Vale de Cambra (aqui, como curiosidade, o CDS foi o segundo partido mais votado).
Terminado um longo ciclo eleitoral de três eleições, façamos votos que todos sejam dignos da confiança neles depositada: governos e oposições.
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