Dentro de algumas semanas, a minha irmã Inês vai celebrar o seu casamento com o Sérgio. Por isso, tenho andado atrás do presente para eles, da surpresa que é habitual os irmãos prepararmos para esse dia e, pior de tudo, atrás da roupa para a cerimónia. Lá tenho andado por esses shoppings a entrar e a sair de lojas, a vestir e a despir roupa, a provar e a acertar indumentárias que não foram feitas para mim. E dou comigo a pensar: como é difícil, na vida, tentarmos vestir um fato que não foi feito para nós, que não assenta naquilo que somos e para aquilo que fomos formatados pelas nossas opções ao longo da vida! Há sempre alguma coisa que desequilibra o conjunto. Realmente é bem mais difícil mudar de vida.
Nesta manhã, no site do José Rui Teixeira, encontrei esta verdadeira world music que quero partilhar consigo, em sua homenagem, caro leitor, porque preciso de o sentir desse lado, ao meu lado. É só clicar em baixo...
Stand By Me
terça-feira, 28 de abril de 2009
domingo, 26 de abril de 2009
III Domingo da Páscoa
Do medo à perturbação, da perturbação à alegria, da alegria ao testemunho (mártures=mártires): foi esta a lenta e enigmática evolução dos discípulos e das discípulas de Jesus depois da sua morte. Desta evolução nasceu a nossa convicção da Sua ressurreição.Neste domingo, escutamos o mais audaz texto da ressurreição (Lc 24, 35-48), onde Jesus afirma não ser um espírito, onde mostra ter carne e ossos, onde come à frente de todos. Com isso quer dizer-nos: "Não sou um fantasma do passado, não sou uma ilusão de corações saudosos, não sou uma intuição racional ou mística, não sou um acontecimento histórico longínquo mas sou presença viva em qualquer lugar, em qualquer tempo. Venço todas as barreiras físicas e todas as coordenadas de tempo para pedir a única barreira que sou incapaz de ultrapassar: a opção pessoal de cada homem e de cada mulher para ser minha testemunha no mundo. Testemunha do amor divino, do arrependimento e do perdão dos pecados".
Foi quando experimentaram esta realidade que aqueles homens e mulheres iniciaram um movimento, que incarnados na humanidade como nenhuma outra religião (por isso, cometendo tantos erros e tantas atrocidades como tantas maravilhas e tantos gestos de amor radical e admirável), chegou até nós crentes da última hora. Mas hoje vivemos como que encerrados nas paredes das nossa comunidades, das nossas burocracias, das nossas tradições, das nossas quinquilharias eclesiásticas sem percebermos porque tantos não dão ouvidos ao nosso testemunho. E porquê?
Porque deixamo-nos de encantar com a alegre notícia pascal, porque deixamo-nos perturbar com os acontecimentos do nosso mundo (tal como os discípulos de então). Ainda não saímos da perturbação que os dias que correm nos provocam e, em vez de proporcionarmos a experiência de Jesus a nós e aos outros, cansamo-nos em defender a indefensável exclusão, em propor insuportáveis cargas moralistas, em olhar as mãos trespassadas de Cristo como sinal de pecado em vez de sinal de amor e de graça. Jesus não pode ser um fantasma na nossa Igreja, onde ninguém vislumbra a Sua realidade viva, a actualidade libertadora da Sua palavra, a suavidade amorosa dos Seus gestos carregados de acolhimento e perdão.
"Porque estais perturbados e porque se levantam esses pensamentos nos vossos corações!", eis a questão que fica neste domingo... Eis a questão que temos que nos colocar: porque andamos perturbados?
sábado, 25 de abril de 2009
A semana que está a chegar ao fim, foi intensa e produtiva. O trabalho na faculdade correu muito bem (tenho as leituras obrigatórias e os apontamentosdas aulas em sintonia com ritmo das aulas), coloquei a conversa em dia com alguns amigos e recebi notícias de outros que há muito não escutava e, nos dois últimos dias, tive oportunidade de fazer experiência de dois momentos que vale a pena partilhar.Na quinta-feira, por indicação do blog do meu amigo José Rui Teixeira, descobri, na Rua Formosa, no Porto, entre a Rua de Santa Catarina e a Rua da Alegria, uma loja de arte, a Opção. É verdade, uma loja de arte onde podemos contactar com obras de pintura, desenho, serigrafia, fotografia e, principalmente, com cerâmica artística de grande qualidade. Neste último âmbito, não posso deixar de destacar obras de Karin Somers (de quem sou um apaixonado depois de ver, in loco, duas esculturas suas, na casa do José Rui), Sofia Beça e João Carqueijeiro, entre outros. É uma loja deliciosa onde pode acontecer sermos conduzidos, aconselhados e atendidos pelos próprios artistas. Eu tive a sorte de ter como guia de desejos e gostos a artista Sofia Beça. A sua simpatia disponível e a sua sabedoria bem fundada foram uma preciosa ajuda. Vale a pena passar pelo número 170 daquela estreita rua da baixa portuense e, quem sabe, adquirir uma obra de arte, que aqui se encontram a preços irrecusáveis.
Ontem assisti, na minha faculdade, a uma mesa-redonda, inserida no colóquio internacional e interdisciplinar "Artes da Perversão". Nela participaram o meu amigo José Rui Teixeira (muito bem, na apresentação do suicídio como desafio aos conceitos habituais de perversão a partir da vida e obra de Guilherme de Faria), Laura Ferreira dos Santos (demasiado simplista e parcial na sua visão sobre a morte assistida e a sua perversidade ou não) e José Tolentino de Mendonça (magnífico na abordagem dos Irmãos Karamazov, de Dostoiévski, nas citações bíblicas presentes nesse livro e na sua proposta de desfatalização da perversão a partir do amor/agapê intuído pelo cristianismo). Além de sair a pensar nas diferentes intervenções, reflecti que a universidade é este espaço de pensamento sem condições nem limites, sem se vergar a utilitarismos económicos nem a asfixias estatais. É um espaço de liberdade. Assim a deixem ser...
Hoje celebra-se o 35º aniversário da Revolução do 25 de Abril. A liberdade é o grande valor democrático e civilizacional que Portugal ainda não aprendeu completamente. Somos centralistas e esperamos tudo do estado: que nos sustente, que nos dê tudo, que nos diga o que devemos fazer, que nos eduque, que nos trate da saúde, que dite formas de agir morais, que seja o nosso "pai". Nisso ainda estamos a aprender a liberdade. Mas poder dizer isto é magnífico. Vivermos num regime que, em duas semanas, faz progredir na carreira militar duas figuras tão opostas politica e humanamente como Jaime Neves e Otelo Saraiva de Carvalho é um regime que sabe o que é a democracia e que aprende a crescer em liberdade.
Hoje, mais que um dia histórico, celebro a liberdade de tudo questionar, de tudo debater e de recusar que pensem por mim e que pensem que sabem o que é melhor para mim do que eu próprio. E muito menos que esse ser pensante seja o estado. Viva a liberdade.
terça-feira, 21 de abril de 2009
Começa bem o dia...
São 8,24h. Existem manhãs assim: acordei, tomei o pequeno almoço e abri o computador para ver os mails, o jornal diário e os blogs dos amigos e dos que sou assíduo leitor. E eis que no blog do Público religionline, dirigido pelo jornalista especialista em assuntos religiosos António Marujo, para mim o melhor em Portugal, encontro esta história de vida de Tony Meléndez. São pouco mais de seis minutos que valem a pena. E esta manhã é feliz porque me falou de Ti Senhor. Já agora um desafio: digam-me depois o que é um milagre...
Não deixem de clicar aqui em baixo:
Tony Meléndez
Não deixem de clicar aqui em baixo:
Tony Meléndez
segunda-feira, 20 de abril de 2009
II Domingo de Páscoa
O texto de domingo sobre as duas aparições de Jesus, em que se sublinha a figura do incrédulo Tomé, sempre foi um texto que me deixou incomodado perante a habitual leitura de que Tomé era um descrente e que felizes eramos nós, hoje, porque acreditávamos sem ver. E lá ficavam os cristãos do meu tempo todos satisfeitos como se isso fosse a sua realidade. Ora não é assim.Vamos por partes. Naquele dia, o primeiro da semana, o primeiro de uma nova humanidade, quem é que não estava naquela sala? Tomé, respondem. E se eu disser que era cada um de nós de que Tomé é simplesmente sinal, simbolo colectivo! É aqui que está o cerne da questão. Ele é o dídimo, o gémeo, o igual a nós crentes da última hora. E não é isto bem verdade? Não vivemos nós os tempos de que só o que se prova é que é real? Não dizemos nós que só no que vejo é que acredito? Não pedimos nós, influenciados pela fá bacoca e inabalável nesse mito que é a ciência, provas para Deus, provas para a ressurreição, provas para a vida eterna? (sabem quantos cristãos em Espanha acreditam na vida eterna? Menos de 50%. A minha experiência pastoral diz-me que entre os nossos cristãos o número não deve ser muito diferente!)
Somos filhos da suspeita, do primado da razão e da arrogância do poder dos sentidos. A razão não nos engana? Os sentidos não nos traem? O coração não nos levou tantas vezes por caminhos errados? A ciência não se desdisse vezes sem conta? E a tecnologia e o progresso respondem-nos às questões do sentido? Seremos hoje mais felizes que os nossos antepassados?
Temos que pedir nesta Páscoa (vão ser cinquenta dias) ao Senhor que nos ensine a acreditar. Só temos razões para acreditar: é porque vemos a vida à nossa volta, é porque temos os pés bem assentes na terra, é porque não nos é indiferente o nosso sofrimento e o sofrimento do inocente que cremos que o Senhor está vivo e que este Deus, que é nosso e por nós, quer-nos tanto que não nos é capaz de nos abandonar nem na morte. Porque vemos o mundo acreditamos e porque acreditamos vemos.
sábado, 18 de abril de 2009
Oito Dias Depois
E passaram oito dias sobre a manhã de Páscoa e voltamos ao ritmo das nossas vidas. Voltamos àquela percepção de que nada mudou, de que o mundo continua mergulhado nas suas já longas e profundas feridas que nenhum desenvolvimento se mostra capaz de sarar, de que este país aprofunda a sua histórica melancolia que lhe impede de olhar o horizonte como desafio e que resignadamente apenas aponta para as nuvens negras que se levantam.
Foi uma semana sem história em que alguns me escreveram contando seus sucessos pessoais e muitos me pediram ajuda para os salvar de naufrágios iminentes. Cada vez estou mais certo que precisamos da salvação que nos vem do alto. Só ela nos possibilita olhar o outro como um irmão, a sentir o sofrimento alheio e a querer ser protagonista da solidariedade, da bondade e da caridade. Só ela nos alimenta a esperança.
Termino este texto oferecendo-vos uma curta metragem premiada que descobri no insubstituível blog de Laurinda Alves. Para o entender é necessário saber inglês, mas se não for esse o seu caso peça a alguém que saiba que partilhe três minutos consigo. E se mesmo isso não for possível, veja na mesma, as imagens e a música valem a pena. É só clicar em baixo.
Nenhum homem é uma ilha
Foi uma semana sem história em que alguns me escreveram contando seus sucessos pessoais e muitos me pediram ajuda para os salvar de naufrágios iminentes. Cada vez estou mais certo que precisamos da salvação que nos vem do alto. Só ela nos possibilita olhar o outro como um irmão, a sentir o sofrimento alheio e a querer ser protagonista da solidariedade, da bondade e da caridade. Só ela nos alimenta a esperança.
Termino este texto oferecendo-vos uma curta metragem premiada que descobri no insubstituível blog de Laurinda Alves. Para o entender é necessário saber inglês, mas se não for esse o seu caso peça a alguém que saiba que partilhe três minutos consigo. E se mesmo isso não for possível, veja na mesma, as imagens e a música valem a pena. É só clicar em baixo.
Nenhum homem é uma ilha
domingo, 12 de abril de 2009
Domindo da Páscoa da Ressurreição de Jesus
Na primeira Páscoa (a judaica) descobre-se um Deus que não aceita a opressão: "Cantemos ao Senhor que Se Revestiu de Glória" cantávamos há pouca horas plenos de entusiasmo em Vigília Pascal.Na Páscoa que hoje celebramos (a de toda a humanidade) percebemos que Deus não tolera a morte. Que Deus não abandona ninguém ao poder absurdo de uma vida para a morte definitiva. Que Deus não deixa cair no abismo do vazio o sangue de um inocente, o sangue de um justo, o sangue de um amante. Deus hoje diz-nos claramente: "Esse Jesus a quem tantas vezes o abandonais, o traís, e, cansados de esperar, regressais à antiga vida. A esse Jesus a quem tantas vezes pretendestes silenciar o seu modo de ser e falar está vivo e é o único futuro. Jesus é o futuro! Este é o primeiro dia de uma nova criação que está nas vossas mãos tornar possível. Por isso, Ele, o meu Filho, está convosco vivo e companheiro".
A Páscoa é o rasgar dos nossos limites, é o não nos contentarmos com um cadáver, é o não aceitarmos os factos consumados, é o não pactuarmos com as fronteiras e os limites porque o que nos constitui homens é esta insatisfação permanente, é esta vontade de ir mais além, é esta vontade de transgredir todas as metas. E a Ressurreição de Jesus diz-nos que estamos abertos ao infinito, que estamos lançados para um futuro maior, que estamos lançados para a eternidade e que é por isso que nada aqui nos enche, nada nos sacia, nada nos realiza porque a nossa pátria e o nosso tempo são a grande manhã de Páscoa feita pelas mãos de Deus. Este é o oitavo dia. Este é o verdadeiro dia criado pelas mãos de Deus. Para um dia assim todos nós nascemos. Por isso, VIVA A VIDA!
Para todos os amigos que aqui se abeiram uma Santa Páscoa.
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