quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Uma Inspecção e Computadores
Esse segredo não está nas suas instalações (hoje muitas escolas secundárias, depois das obras de renovação do parque escolar têm excelentes e melhores instalações e eu ainda usufruí delas no último ano que dei aulas na Rodrigues de Freitas), não está no currículo que é igual ao do ensino público, nem está exclusivamente no estatuto económico das famílias dos seus alunos. O seu segredo está essencialmente na estabilidade, na qualidade e na heterogeneidade do seu quadro docente. Numa altura em muitos professores esperam ansiosamente que o computador do ministério lhes indique a escola onde vão dar aulas (os famosos concursos), o colégio sabe quem terá a dar aulas no próximo ano e os docentes sabem com o que vão contar.
A questão é que é o colégio que escolhe os seus professores e, na situação de concorrência em que se encontra (os nossos alunos não são garantidos, a sua inscrição depende da qualidade que os seus pais reconheçam ao ensino daquela casa), essa escolha só pode ser feita tendo em conta o mérito, a competência, o compromisso, a responsabilidade, o currículo e a qualidade dos professores. Assim, o essencial nem é uma nota de final de curso (todos sabemos como existe uma discrepância injusta e reveladora de facilitismo nas notas finais de um curso conforme a faculdade ou o instituto politécnico onde esse curso foi adquirido), nem são os anos de serviço (sem notar se esse serviço foi de qualidade e de competência). O essencial é falar com as pessoas, é recolher toda a informação necessária sobre a actividade docente dessa pessoa, é perceber os pré-requisitos de que essa pessoa é possuidora, é avaliar permanentemente a sua actividade e é ter a liberdade de a dispensar se ela se mostrar incompetente. Mais, é a própria pessoa ter consciência que o sucesso do colégio depende do seu trabalho, da melhoria das performances dos alunos, que o seu salário e o seu posto de trabalho dependem da exigência, do rigor e da qualidade que coloca nas suas aulas e na sua restante actividade docente. Por isso, no final do ano foram tantas as propostas de melhorias apresentadas pelos docentes porque estão empenhados e comprometidos em fazer do colégio um espaço de saber e de preparação para a vida com mais e melhor sucesso.
Não é possível uma educação com qualidade sem professores, mas também não é possível sem os melhores professores. E esses não se descobrem por concurso centralizado e computorizado, mas por contacto directo e pedindo contas da sua actividade como qualquer empresa de sucesso faz. Mas eu sei que ninguém quer isso com medo das chamadas cunhas. Preferem o "maravilhoso" estado actual. Boa sorte...
Há muito que gostaria de vos mostrar aqui um estudo americano, que descobri a partir de um artigo de Nuno Crato, (eu sei que há estudos para todos os gostos, mas este tem as melhores referências) sobre a utilidade dos computadores (esse mito tão socrático) na aprendizagem. A amostra é gigantesca: 150 mil jovens, seguidos ao longo de cinco (5) anos. Os dados permitiram observar os resultados dos alunos em matemática e na leitura em dois momentos: antes e depois da introdução do computador pessoal para estudo, em casa. Assim, estudou-se o impacto do computador no progresso dos estudos em cada estudante, independentemente do seu meio social.
Surpresa: após a introdução do computador no quarto de estudo, os jovens não melhoraram os seus conhecimentos. Os rapazes têm mesmo algum retrocesso escolar. Enfim, os investigadores notaram (há tanto que eu digo isto) que a tendência é usar o computador não como meio de estudo, mas como meio de comunicação e diversão que ajudam à constante dispersão.
Pior, o retrocesso é maior nos jovens de meios mais desfavorecidos porque o apoio familiar na orientação do uso da informática é menor e esses jovens ainda se dispersam mais. Enfim, o computador oferecido não é um meio de igualização social.
O que isto quer dizer é somente que o uso das novas tecnologias, por si só, não é solução de nada porque nada substitui o bom professor e o estudo organizado. Sim, o estudo. Sim, eu sei que estudar é duro e difícil, não é um divertimento, mas é a vida...
www.nber.org/papers/w16078.pdf
domingo, 8 de agosto de 2010
XIX Domingo do Tempo Comum
Farei o comentário de hoje sobre a minha versão breve que é a seguinte: Lc 12, 32- 40.Quando saio de casa, seja para o trabalho, seja para ir a algum lado (casa de familiares, ao cinema ou às compras) quase sempre chego a uma conclusão: como estamos cheios de coisas. Quando era criança e ia à escola ou quando andava no seminário e na faculdade, saía de casa com a pasta e nada mais. Agora, levo telemóvel, chaves do carro, comando da garagem, computador portátil mais o cabo de alimentação, carteira cheia de cartões, de descontos, de papeis e papeis, óculos de sol, enfim uma lista infindavel de coisas. E não falo de quando saio para férias ou para uma actividade diferente, seja de trabalho ou de lazer.
Andamos atulhados de coisas. Muitas eram para nos facilitar, mas acabam por nos prender e pesar...
O Evangelho de hoje é oportuno: "Não temais pequeno rebanho porque aprouve a Deus dar-vos o reino. Vendei o que possuís (...) fazei bolsas que não envelheçam (...) porque onde estiver o vosso tesouro aí estará o vosso coração". Na verdade, confiamos demasiado nas coisas e por isso andamos carregados de preocupações, de ocupações, de medos, de tesouros que se corrompem e nos corrompem e, pior, nem percebemos a salvação que vem, todos os dias, ao nosso encontro em Jesus, pelos outros.
A questão é que esperamos muito das coisas e pouco de Deus. Na verdade, esquecemos o que é a esperança. Esperamos o imediato, o já agora, o que não satisfaz. Quantos de nós chegarão ao final destas férias tão desejadas, com o amargo sabor de nada ter feito, de não ter lido o que queria, de não ter dedicado o tempo à família que desejava, de não se sentir mais realizado e completo do que esperava? Quantos de nós não anseiam que chegue o fim-de-semana e quando se levantam na segunda-feira estão ainda mais cansados? Quantos de nós esperam que seja aquele ordenado, aquela promoção, aquela experiência nova que o realize, que concretize todos os sonhos e chega ao fim e o que sente é um irritante e melancólico vazio? A questão é que nada satisfaz a nossa esperança senão o próprio Deus porque estamos feitos para o infinito, para o eterno e o mundo é pequeno para os anseios do nosso coração. Nada na vida nos satisfaz. Mesmo o amor humano traz em si sempre um limite que o faz sentir sempre aquém.
Só o Senhor que vem, sem o notarmos, e espera que nos encontremos vigilantes para o percebermos e acolhermos na nossa vida; só Ele nos realiza. Quando o fazemos a vida perde fronteiras e limites, ultrapassa os nossos sonhos e anseios (sempre demasiado pequenos), ganha eternidade. Por isso, a nossa esperança deve estar em Deus porque só ele responde ao pulsar insatisfeito do nosso coração, só dele nos vem aquilo que pode satisfazer a nossa esperança: a Vida. Por isso, relativizemos o que temos, o nosso orgulho, o momento, a zanga de ontem ou de há anos, o poder, o sucesso do outro porque nada disso realiza, tudo envelhece, tudo é corroído, tudo nos é tirado ou será tirado. Afinal, onde temos o nosso coração? Da resposta, a esta questão nasce um projecto de vida, uma forma de estar e um processo de conversão.
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Quem Quer Aprender?
O problema é que a OCDE não conhece e a ministra e os seus acólitos fingem não conhecer algo bem enraizado na cultura nacional: o desenrasca, o chico-espertismo, a falta de valor pelo saber e a vitória do pragmatismo. Deixo só dois exemplos. O colégio bate-se com uma grande dificuldade em manter os seus alunos (alguns deles dos melhores) depois do 9º ano. Porquê? A resposta é eloquente do país que temos: porque é muito exigente a todas as disciplinas. Porque exige empenho, estudo e trabalho a filosofia, a educação física, a inglês, etc. disciplinas que não têm exames nacionais e que, a que quem quer medicina (a deusa dos pais), não interessam. Exactamente. O problema do colégio é que obriga a saber, exige trabalho, implica aplicação. E os pais ou os alunos o que fazem? Fogem para colégios, externatos onde tudo é facilitado, onde se anulam disciplinas no início do ano e depois faz-se exames internos para se atingir notas estratosféricas, onde alunos no colégio com níveis de 12/13 atingem 19/20. Isto prova que o importante para o português não é saber, não é acumular competências para a vida, mas simplesmente conseguir algo, não importa como.
Segundo exemplo. É inacreditável a quantidade de pessoal a copiar nos exames da faculdade. Já quando tinha andado em Teologia, na década de noventa do século passado, o verificara. Este ano, lá voltei a encontrar os descarados e desonestos que copiam, copiam e depois se pavoneiam com as suas notas mentirosas. Ainda são alguns e não pensem que são só alunos mais novos. Também alguns dos mais velhos, com marido/esposa e filhos, que deviam ter outra postura, também o fazem. O que é que isto prova? Aquilo que tenho vindo a demonstrar: o importante, em Portugal, não é o saber mas o tirar um curso, uma nota, chegar a um estrato social.
Num mundo ideal, onde a cidadania fosse um valor, onde o mérito fosse reconhecido, onde a competência fosse elogiada, onde o rigor e a exigência fossem norma, então sim as reprovações não tinham sentido. Mas, num país onde são os próprios pais que pressionam os filhos a optar pelo mais fácil, pelo caminho mais plano não creio que o caminho seja mais facilitismo. Claro que se a intenção for a estatísticas então força, alarguem as Novas Oportunidades a todos os ciclos de ensino, mas não enganem os incautos, não venham com os argumentos dos estudos e das organizações internacionais porque, na verdade, o que dói ao Estado é que os chumbos custam ao país 600 milhões de euros por ano. Mas isso não se resolve com passagens administrativas (gostava de saber quantos políticos e membros daquele ministério beneficiaram delas nos famosos anos quentes depois do 25 de Abril de 1974) que é do que realmente se está a falar. Isso resolve-se com competência no governar, paixão no ensinar e sacrifício no aprender. O resto é conversa da treta.
domingo, 1 de agosto de 2010
XVIII Domingo do Tempo Comum (Lc 12, 13-21)
Na verdade o coração humano é um poço de inseguranças, de medos, de incertezas e, por isso, facilmente se convence que se acumular muitos bens, se se encher de coisas, se alcandorar-se a posturas ou posições de poder tudo ficará resolvido. O coração humano pensa que assim é capaz de dominar a vida, de se perpetuar no tempo, de pairar sobre os outros. Na verdade, toda a ganância traz consigo formas de controlo sobre os outros, formas de opressão. Isso sim é que está na base de todas as injustiças e é à raiz dos problemas que Cristo fala.
Se colocamos a nossa vida, os nossos esforços, os nossos sacrifícios, as nossas forças naquilo que perece somos mentecaptos (melhor tradução do que a de insensato que está na leitura litúrgica), somos pessoas sem mente, sem cabeça. As inseguranças do nosso coração não se resolvem pelo ter, nem pelo possuir nem pelo o último modelo automóvel, de roupa, de telemóvel ou pela viagem a um destino paradisíaco. Tudo isso só trás desilusão, vazio, infelicidade, morte. Quem nunca o sentiu, não se sente.
Canso-me de ver tanto vazio desses mentecaptos que não sabem o que fazer ao que têm e continuam a planear a próxima compra, o próximo investimento, o próximo prémio de produtividade ou, quem sabe, até, o próximo filho por um barriga de aluguer. E esquecem-se que tudo o que têm é emprestado para partilhar e, é lamentável, que só o venham a perceber quando descobrirem que a própria vida lhes foi emprestada para dela darem fruto, que não se armazena nem se acumula mas que se partilha, que se dá, que se coloca em comum porque tudo é dom para tudo se dar.
Ao ler este Evangelho também recordei (e peço perdão por isso) aqueles banqueiros católicos que levaram bancos à falência ou respondem em processo judiciais por tanto quererem acumular. Bem espero que tenho ido à Eucaristia e escutado seriamente o Evangelho deste domingo e que arrepiem caminho porque não se pode ser cristão e pensar que temos algo de nosso: nem filhos, nem mulher, nem homem, nem dinheiro, nem funcionários, nem propriedades, etc. Tudo é do mundo e, por isso, tudo cá deixaremos... Tanta vaidade...
sexta-feira, 30 de julho de 2010
A Propósito de Uma Nuvem de Fumo
Depois de há umas semanas atrás, ainda durante a minha época de exames, ter visto e ouvido o primeiro-ministro, num daqueles intermináveis debates de egos na Assembleia da República, dizer que cortar nas deduções ao IRS das despesas da saúde e da educação era uma forma de fazer com que os ricos, que frequentam consultas privadas para descontarem mais no IRS, pagarem a crise (dixit), decidi nunca mais levar a sério esta gente (governo e oposição). O que é incrível é que disse isto sem se rir, sem se descompor. Na verdade, um casal que ganha 1500 euros por mês é rico. E vai ao pediatra privado porque gosta de gastar dinheiro. E compra livros escolares para os filhos porque é accionista da Porto Editora. É lamentável e insultuoso.
A questão é que neste país o que é privado é de ricos e o que é público é para os pobres. Mas não é assim. Primeiro, entre os ricos e os pobres existe uma maioria silenciosa, trabalhadora, longe dos subsídios sociais ou dos subsídios de ajudas a empresas e bancos; longe das benesses de amizade política ou das assistências sociais. Essa maioria silenciosa chama-se classe média e tenta ter uma saúde séria onde não tenha que esperar meses por uma consulta da especialidade, quando a pode ter no próprio mês; que tem que pagar dentista, pediatra, etc., que justamente se recusa a que escolham por ela um médico de família que é pau para toda a colher e a atende a correr e a olhar para o relógio. Essa classe média olha com horror para a educação das nossas escolas e sonha com a possibilidade de colocar os seus filhos num local seguro, onde realmente se ensine com rigor e seriedade. E muitos, com grande sacrifício pessoal fazem-no, mas são olhados como ricos e privilegiados.
Em segundo lugar, a verdadeira justiça social é tratar diferente quem é diferente. Isto é, a saúde e a educação não podem ser gratuitas para toda a gente. É injusto e não tem futuro. Não é justo que uma família que ganhe 1500 euros por mês tenha uma consulta do centro de saúde ao preço de uma família que ganhe o ordenado mínimo. Agora pensemos que quem ganha 10.000 euros mês também tem direito à mesma consulta gratuitamente. Ou à mesma operação. Ou à mesma escola. Brilhante. Não é sustentável que cada criança, seja de classe baixa, média ou alta, num escola pública fique por 5000 euros por mês. Não é compreensível que o mesmo estado que me obriga a ir ao centro de saúde e ao hospital para uma consulta da especialidade e que grita contra a saúde privada, permita (via ADSE) que um funcionário público possa ir a uma médico privado e seja ajudado a pagar essa consulta ou esse exame ou, até, esse internamente. Justíssimo.
Não é uma questão de pobres e ricos, de liberalismo ou socialismo, é uma questão de justiça e desenvolvimento. A alma de uma sociedade é a sua classe média, é ela que faz subir o PIB, é dela que depende a taxa de natalidade, é nela que estão a base intelectual e cultural de um povo. Ora, é precisamente essa classe que vê o garrote a ser cada vez mais apertado e espantada vê que nada muda, nada se reforma, que não a libertam nem dos encargos fiscais crescentes, nem de um estado que acha que sabe o que é melhor para a sua saúde e para a educação dos seus filhos. E ainda por cima a apelidam de ricos.
Falta verdade e coragem na vida pública portuguesa. Vive-se ao som do que se acha que as pessoas querem ouvir. Criam-se discursos simples, maniqueístas entre esquerda e direita, estado-social e neo-liberalismo, enfim deita-se areia para os olhos enquanto nos vamos atrasando irremediavelmente. Um dia acho que direi à minha filha o que digo a muitos excelentes estudantes que vou encontrando: emigrem para onde vos reconheçam valor e vos respeitem. Porque em Portugal não se respeita o mérito, o sucesso, o esforço próprio, a liberdade. Pior, ainda nos chamam nomes...
terça-feira, 27 de julho de 2010
Saboreando
O passado domingo foi um dia assim. Ainda ontem recordava os muitos filhos e as muitas famílias com quem celebrei o baptismo. Perdi-lhes a quase todas o rasto. Mas, ao ver a Mafalda a tocar o ritual do Sr. padre, enquanto ele rezava as diferentes orações dos ritos explicativos, visualizei num relança as muitas mãozinhas que se aproximavam do meu ritual e o tocavam deliciadas. Ao subir ao altar e ao rezar a oração do Pai-Nosso diante dos nossas familiares e amigos, recordei os inúmeros casais que ali diante dos seus orgulhosa e agradecidamente seguravam os seus filhos. Ao escutar as palavras sábias do Sr. padre de que era fácil gostar, amar um bebé, mas que quem baptizávamos era o mesmo cristão daqui a doze anos, o mesmo a pedir o nossa amor e a nossa fé, pedi ao Senhor por todos aqueles que passaram pelas minhas mãos, sobre os quais derramei água de Vida, para os quais invoquei a Sua bênção, a companhia e a luz de Jesus Cristo. Se alguma dessas famílias ler este post, para eles um forte abraço, que o Senhor esteja sempre convosco e como vêm aquele dia também foi um Acontecimento para mim, como o baptizado da minha filha.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Celebrei o Deus Amor
Ontem foi o baptizado da Mafalda. Foi emocionante estar deste lado com uma filha à porta da Igreja e escutar: "Mafalda é com muita alegria que a comunidade cristã te recebe. Em seu nome, eu te assiná-lo com o o sinal da cruz." Sentir que partilho com ela o maior tesouro que recebi, que cultivo e que tento preservar que é a minha fé vivida na comunhão da Igreja.
Foi uma alegria enorme celebrar este Deus que a ama muito antes que ela lhe possa corresponder.
É um impressivo e intenso sentimento olhar para a Mafalda e vê-la revestida de Cristo.
Celebramos o Deus Amor, celebramos a Igreja nossa mãe, celebramos tudo isso com os familiares de ontem e de hoje, com os amigos do passado e do presente que queremos trazer sempre no futuro. Ontem, tive presente os muitos com quem me cruzei ao longo da minha vida e todos eles farão parte da história que tenho para contar à minha filha.
Termino com algumas das palavras que ontem proferi no discurso da praxe, na nossa família:
(...)
À Mafalda não lhe peço que me realize, que me agradeça, que me siga, que me imite, que me ame. Apenas lhe peço que escute a bela história que lhe tenho para contar e de que todos vós fazeis parte. Na história que as nossas relações teceram ela encontrará todos os ingredientes para acreditar no homem, mesmo conhecendo todo o mal de que ele é capaz; para acreditar na vida, mesmo conhecendo todas as sua exigências; para acreditar no amor, mesmo conhecendo toda a morte que ele implica; para acreditar em Deus, mesmo experimentando as noites escuras da sua ausência que é presença.
(...)
Finalmente, naquela história, a Mafalda descortinará a mão, o sopro, a Palavra, o Amor, a Vida d’Aquele sem o qual nada poderia fazer. Sim gostaria muito, minha querida filha, que um dia descobrisses o tesouro que um dia, graças a todos estes que aqui estão e a muitos outros, o teu pai descobriu: Jesus. Amo-o como tento amar todos os dias a tua mãe, a minha mãe, a ti. Amo-o como acho que nunca amarei ninguém. Porque ele me ama como nunca ninguém me amará. Porque nele me entendo, me percebo, me encontro. Porque nele entendo a vida. Porque nele creio no Homem. Porque nele persevero na tribulação. Porque nele encontro alegria na esperança. Porque em ti vejo mais uma vez o seu amor por mim.
Vem Mafalda tenho uma bela história para te contar. Vem, vamos juntos – eu, a mãe e tu – continuar a escreve-la. Contamos convosco para a continuarmos a escrever.